Voltar Homenagem

HOMENAGEM A NESTOR DOCKHORN

O Professor Nestor Dockhorn (1920 – 2010) criou não um convívio entre intelectuais mas um círculo de estudos e pesquisas que permitia, ou melhor, acolhia neófitos e veteranos de múltiplas áreas em sentido restrito, stricto sensu. Empenhava-se em fazer amizade com os departamentos universitários, em especial os de Grego, Latim e Alemão, com o objetivo de formar diálogos e círculos acadêmicos de estudos, sempre ciente de que, como diria Terêncio, Heautontimoroúmenos, (I, 1, 25) homo sum: humani nihil a me alienum puto, sou homem: eu não considero alheio a mim nada do que humano. Uma lição de Humanismo, no mesmo sentido que o dicionário eletrônico de Antônio Houaiss que afirma: valorizava um saber crítico voltado para um maior conhecimento do homem e uma cultura capaz de desenvolver as potencialidades da condição humana.

Tamanho era seu esforço para se familiarizar com o parecer intelectual dos colegas acadêmicos. Nos congressos e simpósios, estava presente a cada seção, de segunda à sexta-feira e desde o horário inicial ao término das apresentações de diversos estudos, num esforço ímpar, apesar dos seus noventa anos, como pude testemunhar nos Congressos de Linguística e Filologia do grupo CIFEFIL – Círculo Fluminense de Filologia e Linguística.

Na tradicional mesa-redonda que presidia, a primeira foi em 2004, intitulada “A variante popular do latim (latim vulgar)”, discorreu sobre “A necessidade de fazer transcrição fonética no estudo da variante popular do latim”, partilhava comigo, Amós Coêlho da Silva, que abordei “Presença do latim”, com Airto Ceolin Montagner - “A fantástica Navigatio Sancti Brendani”, Eliana da Cunha Lopes - “Pompéia: um relicário do latim vulgar” e Rosalvo do Valle.

A última foi em 2009, a mesa-redonda se denominou "O latim em todos os tempos", mas já abalado por enfermidade, viu-se forçado a faltar, também dado o receio de familiares em relação a um surto de gripe que assolava a capital do Rio de Janeiro, pediu-me que lesse sua pesquisa sobre "Aspectos do texto latino da encíclica Spe Salvi, de Bento XVI”.

Não me surpreendeu sua aplicação à leitura linguística de mais recente pesquisa de centros acadêmicos europeus importantíssimos. Mas ainda é notável o seu interesse pela linguagem eclesiástica, versada em latim, seu respectivo olhar filológico sobre registros latinos e sobre recentes assuntos da Igreja.

Tinha interesse por professores e alunos de grego e latim, português, francês e alemão e, nas suas pesquisas particulares, conforme o seu currículo registra: e estudo contínuo e sistemático dos seguintes idiomas: árabe, hebraico, alemão, sueco, norueguês, holandês, dinamarquês, finlandês, quimbundo, ioruba, russo, polonês, suaíli, exirima.
 

© 2003, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Todos os direitos reservados.                                   Desenvolvido por: